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quinta-feira, 1 de junho de 2017

POR QUE SERÁ QUE O NORDESTE É TÃO SECO?

Dentre os muitos aspectos apresentados pela Região Nordeste o que mais se destaca é a seca, causada pela escassez de chuvas, proporcionando pobreza e fome. A partir dessa temática é importante entender quais são os fatores que determinam o clima da região, especialmente na sub-região do sertão, região que mais sofre com a seca. Por que chove tanto no Nordeste, mas o sertão continua seco? Seria isso a causa para a pobreza na região?  Alguns fatores climáticos estão na origem da seca no Nordeste?  A seca  se agravou por questões históricas e políticas?




As dramáticas secas da região acontecem por duas razões principais.
  • Primeiro, os ventos que refrescam o sertão não conseguem trazer a umidade que causa chuvas nas áreas vizinhas, seja o litoral do Nordeste, o Sudeste do país ou a região amazônica.
  • Segundo, o semi-árido quase não tem lagos e rios volumosos, que poderiam induzir a formação de aguaceiros locais. Alguns estudiosos ainda relacionam os períodos de estiagem com a ocorrência do El Niño, o fenômeno de aquecimento das águas do oceano Pacífico que bagunça todo o clima global.

Primeiramente, é importante esclarecer que não é toda a região Nordeste que sofre com os problemas climáticos relacionados à falta d’água, mas sim a região denominada de Polígono das Secas (veja o mapa abaixo). Além disso, entidades públicas e privadas, de certo modo, “exageram” em relação ao tamanho da área com excesso de aridez, a fim de ampliar a arrecadação através de verbas públicas. Há, portanto, muitas informações imprecisas disponíveis sobre as reais condições físicas e geográficas da seca do Nordeste.

Sobre as causas da seca na região, existem alguns motivos principais:
  • O relevo interplanáltico (isto é, depressões localizadas entre planaltos) desfavorece a circulação de massas de ar úmidas, ocasionando a falta de chuvas.
  • Trata-se de uma região de latitudes equatoriais, com maior incidência de raios solares e, portanto, com maiores temperaturas.
  • A região – ao contrário da Amazônica, por exemplo – não apresentar uma grande quantidade de rios caudalosos que favoreceriam a evaporação com a consequente precipitação em nível local. Na verdade, a maior parte dos rios é intermitente ou sazonal, ou seja, eles secam em determinados períodos. A grande exceção, nesse caso, é o Rio São Francisco, principal recurso hídrico da região.
  • Apesar da posição geográfica equatorial, o clima da região é marcado por ser do tipo tropical, com duas estações bem definidas: um inverno seco e outra moderadamente chuvosa. Essa última é eventualmente interrompida ou intensificada em função de fenômenos climáticos, como o El Niño, que provoca os longos períodos de estiagem, e o La Niña, que ocasiona períodos de chuvas e até alagamentos de algumas cidades.
  • Pouca força que algumas massas de ar úmido possuem. As massas de ar do Oceano Atlântico atingem, em geral, apenas o litoral nordestino, onde ocorre a maioria das chuvas (e onde é registrada a presença da Mata Atlântica). Por outro lado, a oeste, as massas de ar úmido provenientes da Amazônia também não conseguem alcançar inteiramente a região, chegando apenas até o oeste do Maranhão.

O MOTIVO PRINCIPAL PARA AS SECAS É, SEM DÚVIDA, POLÍTICO.

Apesar dessa série de eventos climáticos naturais que parecem conspirar para caracterizar a aridez da região nordestina, o motivo principal para as secas é, sem dúvida, político. Muitos autores utilizam a expressão Indústria da seca para se referir a essa questão, isso porque somente os fatores climáticos não são suficientes para explicar a miséria em que vive a população. Existem soluções tecnológicas avançadas desenvolvidas para resolver problemas de disponibilidade de recursos hídricos. Dessa forma, muito dinheiro foi destinado para a região, o suficiente para implantar projetos avançados de irrigação e distribuição de água, porém boa parte da verba foi desviada e a maior parte dos sistemas de irrigação foi destinada a grandes latifúndios (geralmente associados a grandes políticos da região) que priorizam a exportação. Assim, na opinião de muitos críticos², a indústria da seca funciona da seguinte forma: prometem-se melhorias para a população e oferecem-se ações de caridades (como cestas básicas) em troca de votos. Depois de eleitos, os políticos atuam para atender aos interesses dos grandes latifundiários, que geralmente financiam as suas campanhas. Por fim, exagera-se na mídia o problema da seca a fim de angariar mais recursos que raramente são bem utilizados em prol da população local. Apesar disso, essa realidade vem lentamente mudando nos últimos anos.
Portanto, para melhor resumir, podemos atribuir a questão da seca do Nordeste aos principais fatores:
  • Naturais (de ordem física e climática),
  • Políticas (relacionados à indústria da seca).


A SECA
Enquanto fortes chuvas atingem varias cidades de Pernambuco e Alagoas, a seca que já dura 7 anos persiste no interior dos Estados nordestinos. Chuvas no leste do Nordeste e o clima seco no sertão são características dessa região do país. A explicação para essa dinâmica climática está relacionada aos deslocamentos das massas de ar e alguns fatores ligados ao relevo.
O Nordeste é composto por quatro sub-regiões:
  1. Zona da mata, localizada na faixa litorânea (o nome remete à Mata Atlântica);
  2. Agreste, área de transição entre os climas úmido e seco;
  3. Sertão, caracterizado pelo clima semiárido e pela vegetação da caatinga;
  4. Meio-norte, zona de transição entre o sertão e a Amazônia. Cada sub-região possui clima e vegetação própria.

As fortes chuvas que atingiram a área se concentram na zona da mata e em algumas cidades do agreste.

Chuvas de meio do ano
Os meses de maio, junho, julho e agosto são os mais chuvosos na zona da mata e também no agreste nordestino. Essa chuva acontece no principalmente por causa do encontro de massas de ar úmidas do oceano Atlântico que sobem até o Nordeste. Ocorre um encontro entre essas massas úmidas e a massa de ar seca do continente, o que provoca as chamadas chuvas frontais.
A ocorrência de chuvas durante a época próxima ao inverno no litoral do Nordeste deve-se ao comportamento da massa de ar úmido do Atlântico. Para entender o raciocínio, é preciso saber que;
  • Regiões de alta pressão atmosférica são aquelas que dispersam umidade, deixam o ar seco e reduzem chances de chuva.
  • Regiões de baixa pressão atmosférica são aquelas que concentram umidade, ajudam a formar nuvens e favorecem chuvas.

No verão, a superfície continental aquece mais que o oceano e forma uma área de baixa de pressão. Com a área de baixa pressão no continente, o ar úmido do oceano se desloca e leva chuvas para o Sudeste e Centro-Oeste. No inverno, acontece o contrário, a baixa pressão fica no oceano, a massa de ar se desloca saindo do continente, e a borda dela pega o litoral do Nordeste.

Pressão atmosférica explica secura do sertão
O sertão nordestino possui uma característica que dificulta muito a chegada de massas úmidas que provocam chuvas:
  • ·         A alta pressão atmosférica.

Zonas de alta pressão atmosférica são dispersoras de vento. .A massa de ar que vem do oceano não consegue entrar, encontra um bloqueio no semiárido. Há, contudo, uma época do ano em que pode ocorrer chuvas nas regiões de clima semiárido do Brasil. 
No Equador, o ar esquenta e sobe. Ao ganhar altitude, esfria, desce na região dos trópicos e se espalha. Forma assim os ventos alísios, que vão do trópico para o Equador. O ponto de encontro entre esses ventos, a chamada zona de convergência intertropical, provoca chuvas. No nosso inverno, essa zona de convergência se desloca para o Hemisfério Norte. E no verão, se desloca para o Sul e causa chuva na parte central do Brasil. É por esse motivo que as chuvas costumam ocorrer no semiárido no início do ano, nos meses de março e abril.

Por que não tem chovido nada no sertão?
A sub-região do sertão é caracteristicamente seca, com um pouco de chuva ocorrendo no início do ano. Contudo, mesmo essas poucas chuvas estão abaixo da média há 7 anos - o ano de 2011 foi o último com chuvas acima da média, e 2017 está sendo mais um ano seco.
A longa duração da seca deve-se a uma combinação infeliz de vários fatores;

  • Houve em alguns anos, desde 2010, um aquecimento maior das águas do Atlântico Norte. Quando isso ocorre, a zona de convergência se desloca para o Norte, fica mais próxima do Equador, e não tem convergência de umidade para o Nordeste. Quando não houve esse aquecimento das águas do Atlântico.
  • Outro fator foi crucial para continuar impedindo a chegada de chuva no sertão. Trata-se do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do oceano Pacífico e que causa alterações climáticas em diferentes regiões do globo. O El Niño faz com que chova menos na região Nordeste.
RESUMO
Na realidade, chove no sertão, como é chamada a região de clima semiárido e vegetação de caatinga. Porém a quantidade de água registrada é baixa, com distribuição irregular no ano. Conheça os responsáveis por essa característica.
  1. Fatores oceânicos - Mesmo sob o Equador, a temperatura do mar nos litorais potiguar e cearense é mais baixa em relação às áreas adjacentes. Com baixa evaporação, há menos umidade presente. 
  2. Influência do relevo - A serra da Borborema, que atravessa vários estados, impede a passagem das correntes atmosféricas úmidas que partem do oceano para o interior. Por isso chove mais no litoral. 
  3. Frentes polares - As frentes polares - encontro de massas de ar diferentes - causam chuvas. Mas, como elas têm pouca força quando chegam ao Nordeste, predomina um quadro de estabilidade. 
  4. Fatores atmosféricos - O Nordeste é uma área de alta pressão - com correntes de ar que transferem o calor para latitudes maiores -, situação que favorece a estabilidade do tempo e a ausência de chuvas.
  5. Fatores políticos - "Indústrias da Seca"


Referências  
http://mundoestranho.abril.com.br/ambiente/por-que-chove-tao-pouco-no-nordeste/
https://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/ciencia/2017/06/01/seca-e-chuva-ao-mesmo-tempo-entenda-os-climas-diferentes-do-nordeste.htm
https://novaescola.org.br/conteudo/2187/por-que-nao-chove-no-sertao-nordestino
http://brasilescola.uol.com.br/brasil/por-que-nordeste-seco.htm
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