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quarta-feira, 24 de maio de 2017

LIVRO NEGRO - ÁRVORE DA MORTE



Uma das piores espécies intocáveis, independentemente da estação do ano, tem a dúbia honra de ser a árvore mais perigosa do mundo segundo o livro dos recordes. A mancenilheira (Hippomane mancinella) cresce em uma faixa que vai do norte da América do Sul até a Flórida, passando pelo Caribe. Em algumas regiões, populações locais as identificam pintando-as com um "X" vermelho.





Dizem que, quando os conquistadores chegaram, vários deles se intoxicaram ao comer seus frutos. Falam que os indígenas usavam a árvore para tortura, amarrando pessoas a seu tronco e deixando-as ali para que sofressem quando chegasse a chuva. Contam que, além disso, os nativos envenenavam suas flechas com sua seiva. E que até que foi o motivo da morte do espanhol Juan Ponce de León, o primeiro governador de Porto Rico, que recebeu uma flechada em uma batalha quando tentou conquistar a costa da Florida, em 1521.   É difícil comprovar que esses fatos realmente tenham acontecido, mas o que se diz das propriedades científicas da "árvore da morte" já foi provado.
A temida planta cresce em paisagens idílicas e pode alcançar grandes alturas. Seus galhos às vezes repousam sobre a areia e te convidam a descansar sobre sob sua sombra ou se proteger da chuva ou do sol. Seus frutos, muitos parecidos com maçãs, são cheirosos, doces e saborosos. Mas ela tem a duvidosa honra de estar registrada no livro dos recordes, o Guiness Book, como a árvore mais perigosa do mundo.

COMO SEU NOME DIZ
Nome científico. : Hippomane mancinella. 
Hippomane vem das palavras gregas hippo, que significa "cavalo", e mane, que deriva de "mania" ou "loucura". O filósofo grego Teofrasto (371a.C.-287a.C.) nomeou assim uma planta nativa da Grécia após descobrir que os cavalos ficavam loucos ao comê-la. E o pai da taxonomia moderna, o sueco Carl Linneo, deu o mesmo nome à nociva árvore da América. Mais precisamente, a que é nativa da América Central e das ilhas do Caribe e cresce da costa da Flórida até a Colômbia - em alguns lugares, sua presença é alertada por cruzes vermelhas e placas.


ÁRVORE DA MORTE
Esse é um dos seus nomes conhecidos, usado por quem convive com ela. Também é conhecida como Macieira da Areia ou Macieira da praia - mas árvore da morte é o apelido que melhor descreve a realidade. Sua seiva leitosa contém forbol, um componente químico perigoso. Só de encostar na árvore, sua pele pode ficar horrivelmente queimada. Refugiar-se debaixo dos seus galhos durante uma chuva tropical também pode ser desastroso, porque até a seiva diluída pode causar uma erupção cutânea grave. Queimar essas árvores também é uma má ideia. A fumaça pode cegar temporariamente e causar sérios problemas respiratórios. Mas, apesar dos efeitos desagradáveis, o contato da pele com esta árvore não é fatal. A ameaça real vem de sua pequena fruta redonda. Comer este fruto, que parece uma pequena maçã, pode causar vômitos e diarreia tão severos que desidratam o corpo até um ponto em que não há mais cura.

HISTÓRIA
Histórias do tipo não são novas, é claro.

  • Os Caribes usavam a seiva desta árvore nas setas contra os inimigos provocando uma morte lenta e dolorosa. Um cataplasma de arauta era usado como antidoto pelos Arawaks e Taínos contra venenos de setas. Eram conhecidos por envenenar a água dos seus inimigos com folhas de mancenilheira.
  • John Esquemeling, autor de um dos mais importantes livros de consulta sobre pirataria no século 17, "Os corsários da América" (1678), escreveu sobre sua experiência com a árvore "chamada mancenilheira , a árvora da maçã anã", quando esteve na ilha La Española, compartilhada entre o Haiti e a República Dominicana e conhecida por ter abrigado o primeiro assentamento europeu na América no fim do século 15. "Um dia, quando estava extremamente atormentado pelos mosquitos e ainda ignorante sobre a natureza desta árvore, cortei um galho para me abanar. Meu rosto inchou e se encheu de bolhas, como se estivesse queimado, e fiquei cego por três dias."
  • Nicholas Cresswell, cujo diário sobre seus dias nas colônias britânicas na América ficou para história, escreveu sobre a sexta-feira de 16 de setembro de 1774: "A fruta da mancenilheira tem o aroma e a aparência de uma maçã inglesa, mas é pequena, cresce em árvores grandes, geralmente ao longo da costa. Estão repletas de veneno. Me disseram que uma só é suficiente para matar 20 pessoas.A natureza do veneno é tão maligna que uma só gota de chuva ou orvalho que caia da árvore na sua pele imediatamente causará uma bolha. Nem a fruta nem a madeira podem ser usadas, até onde eu sei."


PERIGOSA, MAS ÚTIL
Surpreendentemente, talvez, a árvore tem seus usos, segundo o Instituto de Ciências da Agricultura e Alimentos da Flórida. A mancenilheira da praia é usada para fazer móveis desde a época colonial. Acredita-se que sua seiva venenosa se neutraliza quando seca ao sol. Mas manipular a madeira recém-cortada requer muito cuidado. Os nativos cobriam suas flechas com o veneno quando iram caçar. E há documentos que mostram que a borracha da casca já foi usada para tratar doenças venéreas e retenção de líquidos na Jamaica, e as frutas secas foram usadas como diuréticos.




Referência
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mancenilheira
http://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-36570684

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