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quarta-feira, 31 de maio de 2017

DÚVIDAS MAIS FREQUENTES SOBRE ANFÍBIOS ANUROS



Embora muita gente faça confusão, esses três típicos animais saltitantes possuem muitas diferenças entre si, tanto na morfologia quanto no comportamento e na classificação zoológica. Em comum eles têm o fato de serem classificados como anuros, o nome dado aos anfíbios que não têm rabo.





  • Os sapos, em geral, pertencem à família dos bufonídeos, embora existam espécies distribuídas por outras famílias de anuros. Eles preferem viver em terra firme e só procuram ambientes aquáticos quando vão se reproduzir. No Brasil, uma das espécies mais comuns é o sapo-cururu (Bufo marinus). 
  • As rãs são as mais habilidosas entre esses três tipos de anuros. Elas conseguem dar saltos de até 1,5 metro de comprimento e 70 centímetros de altura. “A família dos ranídeos é a mais numerosa, embora no Brasil ocorra uma única espécie dessa família (Rana palmipes). As demais rãs brasileiras pertencem à outra família, a dos leptodactylídeos”. 
  • As pererecas, como os sapos, também não gostam de lagoas. Elas costumam viver em árvores e pertencem a várias famílias. A mais extensa é a dos hylídeos, da qual faz parte a minúscula grass frog (“perereca da grama”), que mede só 1,75 centímetro.


SAPO, RÃ, OU PERERECA? 
O Brasil tem mais de 800 espécies de anfíbios anuros, como são classificados os sapos, rãs e pererecas, daí a grande dificuldade em usar os três termos de acordo com as distinções definidas nos dicionários. A língua portuguesa apresenta, oficialmente, apenas os termos sapo e rã. A palavra perereca, que foi incorporada ao português do Brasil, vem da língua indígena tupi-guarani - significa andar aos saltos - e era o termo utilizado pelos indígenas para designar os anfíbios, provavelmente, de forma genérica. Com o passar do tempo, o termo perereca passou a ser empregado pela população em geral, principalmente para designar aqueles anfíbios anuros dotados de discos aderentes na ponta dos dedos, que servem para eles subirem em árvores e nas paredes das casas. Para denominar os anfíbios anuros, à grosso modo, podemos:
                                                                   

SAPO

Hábitat: prefere viver em terra firme
Tamanho: de 2 a 25 centímetros
Número de espécies: cerca de 300
Tem aparência estranha, pele rugosa e cheia de verrugas. Suas pernas curtas fazem com que dê pulos limitados e desajeitados. Possuem bolsas na região dorsal (glândulas paratóides), que se comprimida libera uma toxina leitosa.


PERERECA 

Hábitat: muito encontrada em galhos de árvores
Tamanho: menos de 10 centímetros
Número de espécies: mais de 700
Em geral, a perereca é menor que um sapo ou uma rã e tem como característica os olhos esbugalhados, deslocados para fora. Suas pernas finas e longas permitem grandes saltos – algumas alcançam a marca de 2 metros de distância! As pontas dos dedos da perereca possuem um tipo de ventosa, que ajuda a subir nas árvores e paredes.




Hábitat: mora principalmente em lagoas
Tamanho: de 9,8 milímetros a 30 centímetros
Número de espécies: mais de 4 mil
Se o sapo assusta pelo veneno, a rã é considerada um prato sofisticado em muitos países. Ela tem a pele lisa e brilhante. Suas pernas são longas e correspondem a mais da metade do tamanho do animal. As patas traseiras podem ser dotadas de membranas que ajudam a rã a nadar.


Agora que sabe diferenciar os anfíbios anuros, vamos então desmistificar as lendas sobre esses seres saltadores.

  • É VERDADE QUE SAPO JORRA LEITE QUE CEGA? Bom, primeiro que sapo não é vaca leiteira, né gente, eles não produzem leite.  Mas a razão para este dito popular é porque muitos sapos possuem na parte lateral da cabeça duas glândulas chamadas parótidas (ou parotóides), que produzem uma secreção de aspecto leitoso. Essa substância serve para que os sapos se defendam dos seus predadores. Mas não se preocupe que, em primeiro lugar, o sapo não vai espirrar essa secreção em você, pois eles por si próprios não são capazes de liberar a substância e utilizá-la como arma de ataque. Ela só é expelida através dos poros se a glândula for pressionada, como no caso da mordida de um predador. E, mesmo que você entre em contato com a substância, o máximo que ela pode causar é alguma irritação se você estiver com algum ferimento ou se você colocá-la em contato com alguma mucosa. Então fique tranquilo porque os sapos não vão te deixar cego! Quem se sentir a vontade para pegar os fofinhos na mão pode até dar um apertãozinho nas glândulas para ver a secreção saindo que não tem problema! 
  • É VERDADE QUE XIXI DE SAPO DEIXA A PESSOA CEGA? Que insistência em relacionar os sapos com cegueira.  Bom, xixi os sapos fazem, lógico! Mas a urina excretada pelos sapos pode ter toxinas como a urina de qualquer outro animal, inclusive a do ser humano. Aliás, te garanto que é bem mais fácil você pegar alguma infecção com as bactérias dos banheiros públicos do que com o xixi do coitado do sapo. Os sapos até podem utilizar sua urina como mecanismo de defesa, mas ela será tóxica apenas para pequenos animais, ou, novamente, se entrar em contato com mucosas. Então sem pânico, a urina do sapo não é venenosa e não vai te deixar cego!
  • É VERDADE QUE SE JOGAR SAL NO SAPO ELE MORRE? Opa, finalmente uma que é VERDADE… Então pelo amor de Deus, NUNCA FAÇA UMA CRUELDADE dessas com um sapinho! O sal mata os anfíbios porque a pele deles é um tegumento permeável, devido ao seu modo de respiração. Os sapos possuem pulmão, porém, a capacidade dos pulmões deles é bastante reduzida. Então, para compensar, além da respiração pulmonar apresentam também respiração cutânea, ou seja, através da pele. Mais da metade da absorção de oxigênio ocorre através da pele. Devido a isso, a pele precisa estar constantemente úmida (característica indispensável para que a troca de gases possa ocorrer), Por causa dessa alta permeabilidade necessária a respiração cutânea a pele desses animais perde água facilmente. Se jogamos sal sobre o sapo, o sal absorve a umidade da superfície cutânea e a água das células epidérmicas por osmose, causando no animalzinho feridas, desidratação, hemorragias, infecções e óbito. Se você se deparar com um desses animaizinhos dentro de casa, pode ir tranquilo pegá-lo com a mão ou um papel e colocá-lo pra fora, não precisa torturar o bichinho jogando sal nele.
  • É VERDADE QUE A PERERECA GRUDA NA NOSSA PELE E NÃO SOLTA? Elas conseguem sim, se segurar em você, mas de jeito nenhum ficarão ali grudadas. É só retirá-las! As pererecas passam a maior parte da vida delas em cima das árvores, diferentemente dos sapos e rãs, que apresentam hábitos mais terrestres e aquáticos, respectivamente, então, para que consigam escalar as árvores ou arbustos, as pererecas possuem discos adesivos nas pontas dos dedos, que funcionam como um velcro. São esses discos que permitem que as pererecas subam paredes e janelas ou consigam se segurar na pele de alguém, mas garanto que não vão ficar grudadas!
  • POR QUE AS RÃS COSTUMAM FREQUENTAR O BANHEIRO DE NOSSAS CASAS?  Isso ocorre devido à perda do hábitat natural (gramíneas altas, arbustos, árvores com bromélias, etc). Muitas espécies de rãs necessitam ficar permanentemente em lugares úmidos. A pele das rãs tem estrutura glandular e exerce funções vitais, como a respiração e a absorção de água. Os anfíbios respiram parcialmente através da pele? A respiração através da pele (respiração cutânea) complementa a respiração pulmonar entre 20% e 60%, dependendo da espécie e de sua atividade. Se houver o ressecamento da pele, os poros se fecham (ou seja, a pele fica menos permeável) e a respiração fica seriamente comprometida. As rãzinhas não nos fazem qualquer mal algum. Portanto, não devemos maltratá-las. Se uma rãzinha estiver no banheiro, é só retirá-la. Aliás, os anfíbios são os parceiros ideais para os seres humanos, pois, não oferecem perigo (não mordem!) e não competem em alimento. Durante sua vida, uma única rã é capaz de devorar milhares de insetos, muitos dos quais, vetores de doenças fatais para nós, seres humanos (p. ex. dengue, malária, febre amarela). Algumas espécies de sapos são capazes de devorarem, diariamente, uma quantidade enorme de lagartas e lesmas que infestam as plantas de nossos quintais, dispensando assim o uso de venenos. Portanto, a relação com os anfíbios é muito vantajosa para nosso lado.
  • AS RÃS, SAPOS E PERERECAS TÊM VENENO?  Sim. Porém, o veneno é passivo, ou seja, ela possui veneno em sua pele, mas não há meios de injetar esse veneno no ser humano. Logo, não oferecem perigo, a não ser que sejam ingeridas, que é uma possibilidade muito remota. Além disso, as espécies brasileiras que são venenosas vivem na floresta amazônica. São aquelas rãzinhas coloridas, denominadas pelos estrangeiros de joias da floresta amazônica. Muitas daquelas espécies correm risco de extinção devido à “biopirataria”. O veneno de sua pele serve para fabricar medicamentos. Aquela substância leitosa contida nas glândulas laterais da cabeça dos sapos não nos causa nenhum problema quando em contato com nossa pele. O sapo só libera essa substância, se for machucado. Ele não espirra aquela substância espontaneamente. As glândulas têm que ser pressionadas para que isso ocorra, ou seja, isso só funciona contra predadores. A substância leitosa causa irritação na boca do predador, fazendo-o que libere imediatamente o sapo, ainda em vida. Mas não se alarde, porque você não vai encontrá-los no seu quintal, a não ser que você more no meio da Floresta Amazônica. Esses sapinhos comuns, que as pessoas acham feiosos e verruguentos não causam nenhum grande malefício aos seres humanos. Aliás, nada na natureza é por acaso, quando há algum perigo ela nos avisa! Os sapos venenosos, assim como outros bichos, são extremamente coloridos. As cores servem como um aviso de alerta para que os predadores saibam que aquele animal é perigoso e não tentem devorá-lo. Na verdade, todos os anuros possuem um grande número de glândulas que produzem substâncias “venenosas”, mas o que as pessoas precisam saber separar é que o efeito dessas secreções varia muito de acordo com o animal que entra em contato com elas. A substância leitosa é venenosa para pequenos animais, mas não para o ser humano. O índice de envenenamento de pessoas por toxinas produzidas por anuros é baixíssimo. Podemos citar como exemplo de anuros perigosos para nós os membros da família Dendrobatidae. Algumas tribos indígenas da Amazônia e da América Central, utilizam as toxinas das rãs desta família nas zarabatanas e nas pontas das flechas. O veneno pode matar o inimigo, ou a caça, assim que penetra na circulação sanguínea. Mas a grande maioria das toxinas dos sapos causam nos seres humanos apenas irritações passageiras.
  • O QUE OS SAPOS COMEM? Os sapos comem muitos insetos de várias espécies, como: moscas (adultas e larvas), baratas, pernilongos, formigas, pulgões, besouros, lagartas, vagalumes e joaninhas. Além de insetos, comem outros animais invertebrados como aranhas, lesmas e minhocas. Por isso, sapos, rãs e pererecas são amigos dos homens: eles controlam a população de insetos e de outros invertebrados que causam grandes prejuízos para a agricultura e transmitem doenças. Exemplo: se não houver sapos no meio de uma horta, as lesmas podem se multiplicar e devorar todas as folhas das verduras, como alface e repolho. A solução seria aplicar veneno para matar as lesmas? Sim, o veneno resolve e mata as lesmas, mas o que acontece à saúde ao comer essas verduras envenenadas? Apenas depois de vários anos será recebida essa resposta, na forma de uma enorme despesa com farmácias e hospitais.
  • DE ONDE SURGIU A LENDA QUE BEIJAR UM SAPO ELE VIRA PRÍNCIPE? Essa lenda tem um fundamento bastante interessante. Os sapos produzem diversas secreções, as quais, se forem ingeridas, podem apresentar efeitos variados, podendo agir inclusive como alucinógenos. Ao longo da história, diversas tribos e grupos fumaram essas toxinas em cigarros ou mesmo lambiam a pele das rãs e sapos para conseguir o efeito alucinógeno. Lamber um sapo? Não seria melhor substituir isto por uma metáfora, como “beijar um sapo”? Como muitos contos de fadas, este também surgiu como um eufemismo para a realidade. Beijar um sapo para que ele vire príncipe nada mais é do que um disfarce para a verdadeira frase que seria: Lamber um sapo para ter alucinações. Mas não que isso tenha que estragar a magia das histórias de criança, hein. Aliás, quem curte animações, A Princesa e o Sapo é uma ótima opção de filme.


Referências 
http://expedicaovida.com.br/verdades-e-mentiras-sobre-os-sapos/
http://www.apasfa.org/futuro/sapos10.shtml
http://www.ra-bugio.org.br/anfibios_sobre_03.php
http://mundoestranho.abril.com.br/mundo-animal/qual-a-diferenca-entre-sapo-ra-e-perereca/
https://blogdon
urof.wordpress.com/category/noticias/

2 comentários:

Anônimo disse...

Super interessante essa matéria. Desde pequeno aprendi que o xixi e o leite do sapo são venenosos. Confesso que também já fiz a "experiência" de jogar sal no sapo, para ver o que acontecia..lembro que minha irmã chorou quando o sapinho começou a espumar, pegou o coitadinho e jogou ele num balde com água, no final ela conseguiu salvar o sapo e eu bravo porque ela não deixou ele morrer.

Janete Rosa disse...

Prof. Parabéns pelo artigo. Uma informação correta poderá salvar muitos sapinhos. E crianças não façam com o leitor acima... Todo ser vivo tem direito a liberdade de ir e vir. Nunca pegue um animalzinho desconhecido na mão pois poderá se arrepender.